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domingo, 15 de novembro de 2009

LULA VERSUS EDUCAÇÃO: PARA QUE ESTUDAR?


Nas duas últimas semanas, o Brasil assistiu uma pequena prévia do que será a campanha eleitoral de 2010. Entretanto, é bastante temerário para o Brasil, a direção tomada em algumas discussões. 

O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso teceu – através de artigos publicados, 01 de novembro, em diversos jornais –  várias críticas ao governo do Presidente Lula, afirmando: “O DNA do ‘autoritarismo popular’ vai contaminado o espírito da democracia”.  Isso é natural na política, e até uma atividade democrática.

O cantor e compositor Caetano Veloso – dispensa apresentações – fez comentários da pessoa do Presidente da República, e não do seu governo. Também, algo natural na democracia. Entretanto, o comentário dele foi totalmente descabido e discriminatório e deve ser rechaçado por todos os brasileiros, independentemente de aprovar ou reprovar o governo do Presidente Lula. A semente do seu comentário se germinar pode trazer consequências desastrosas para o Estado brasileiro, é claro, desde quando o Presidente “caia na pilha”. Caetano, para justificar sua preferência pela suposta candidata a Presidência do Partido Verde (PV), desqualificou a pessoa do chefe de Estado – o Presidente Lula. O cantor, em entrevista publicada, 04 de novembro, no jornal ‘O Estado de São Paulo’, disse: "Marina é Lula e Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar".

A crítica de Caetano Veloso somada a do ex-presidente Fernando Henrique – intelectual de destaque e possuidor de um currículo acadêmico singular – fez com que o presidente Lula “desse o troco” de forma emocional e não racional como se espera de um chefe de Estado, ainda que algumas ofensas tenham sidas meramente pessoal (deixa Caetano falar, para ele tudo é lindo, pois tem padrão de vida milionário, não precisa procurar emprego e os seus filhos nunca estudaram nas escolas públicas). O Presidente afirmou que inteligência não se adquire nas universidades, fazendo pós-graduações. Concordo plenamente com ele. Entretanto, determinadas comparações do Presidente podem provocar uma derrocada no seu esforço, e de todo o seu governo, para melhorar a vida dos brasileiros, principalmente os mais carentes.

O governo do Presidente Lula é um dos melhores governos da história brasileira, se não o melhor. Porém, quando ele faz comparações que um torneiro mecânico governa o Brasil melhor do que um intelectual, ou que a inteligência não se adquire nas universidades, sem querer, ele está dando “um tiro pela culatra” ou, usando outro jargão, dando “um tiro no pé”. É indubitável que a educação é a mola propulsora para o desenvolvimento de qualquer Nação. Todavia as peculiaridades do Brasil já desestimulam o estudo dos nossos jovens. As escolas perdem seus alunos para os campos de futebol (quer seja de várzea, de grama, ou de asfalto), pois eles só conhecem a história de Ronaldinho, Kaká, Romário e outros famosos. Não conhecem a história de milhões de jovens desiludidos na busca de ter sucesso na carreira de jogador de futebol e que acabam desempregados e passando fome porque trocou os estudos por um sonho que destrói a vida, não devolvendo o tempo passado fora da escola. As escolas perdem também seus discentes para o tráfico de drogas, o dinheiro rápido e “fácil”, que não exige nível de escolaridade, talvez exija inteligência, dessas que se adquirem fora das escolas. Agora imaginem que resultado desastroso para o Brasil, a soma das peculiaridades brasileiras que desestimulam o estudo dos nossos jovens (futebol e tráfico de drogas) com as comparações do Presidente que tem a popularidade “nunca vista na história deste País”, de tão grande!

O Presidente, mesmo que não queira, quando faz comparações do governo do torneiro mecânico com o do intelectual, ou quando diz que inteligência não é frequentar universidades, está dizendo para os nossos jovens que não compensa estudar. Com estas comparações, o Chefe de Estado está incentivando: a mão de obra informal (emprego sem carteira assinada), o desemprego (por falta de recurso humano capacitado), o trabalho infantil (para que estudar, se já posso trabalhar?), a estagnação no campo tecnológico (a tecnologia é fruto dos estudos) e o aumento da desigualdade na distribuição de renda, pois os ricos jamais questionarão a importância do estudo. Estas comparações, também, podem destruir os nossos “Einstein” antes mesmo deles terminarem o ensino fundamental e desacreditam que os próximos “Rui Barbosa” sairão das universidades. Parafraseando Carlos Lupi, antes de se tornar Ministro do Trabalho, “não é esse Lula que nós queremos”!

Presidente, o legado do seu governo é a resposta contra qualquer ofensa pessoal, pois até o presidente do Estados Unidos, Barack Obama, o homem mais poderoso do mundo, já afirmou para os quatro cantos do mundo: “Você é o cara”. Portanto, espera-se que opiniões alheias não provoquem atitudes incompatíveis a um Estadista. Pois os nossos jovens não podem, baseados em comparações de um Chefe de Estado eleito pelo povo, se questionar: para que estudar? 


10 comentários:

  1. Marinho,

    A nossa sociedade carece de pessoas com a sua inteligência e visão diferenciada de ver a coisas.

    Excelente texto!

    João Paulo, Salvador-BA.

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  2. muito legalll...
    "mas pra que caetano mesmo héin???"
    Minha saudosa vó dona elisa já dizia:
    "Discarado na Bahia é Festa..."
    Abraão Macedo

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  3. Muito interessante esse artigo, Marinho. É preciso realmente medir as palavras...
    Um abraço, Deus te abençoe!
    Cap BM Ana Isabel

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  4. Caro Marinho,
    Embora haja muitos delizes nos pronuciamentos de "LULA" aquela coisa coisa chamada política petista de S. Paulo por excia, a sua persistência conseguiu costurar ou remendar uma equipe, mesmo deixando a desejar, reflete hoje, a esperança de um povo, em busca de minorar as desigualdades, mais justiça, e cabe tambe´m a nós empurrar o nosso povo, a um patamar de dignidade.
    Abraços,
    Lessa

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  5. Precisamos deter Lula!

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  6. Enquanto isso, no lado baiano do governo petista:enturmação, professores excedentes, carga horária monstruosa, pressão pela aprovação sem aprendizado, entre outros capítulos dessa história de terror no ensino público do Brasil.

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  7. AMIGO CAPITÃO MARINHO, NÃO SE DEIXE ENGANAR COM ESSES CARAS DE PAU QUE ESTÃO QUERENDO VOLTAR AO PODER, ISSO É COISA DA OPOSIÇÃO, VAMOS RESPEITAR UM HOMEM SIMPLES, DE FAMÍLIA POBRE QUE VEIO DE CAETÉS, ZONA RURAL DE GARANHUS/PE E QUE HOJE ESTÁ DANDO LIÇÃO PARA O PROFESSOR INTELECTUAL QUE VENDEU AS EMPRESAS DO BRASIL; QUE TRIPLICOU A DÍVIDA EXTERNA; QUE AUMENTAVA O COMBUSTÍVEL TODA SEMANA; QUE NÃO CONSEGUIU ELEVAR O SALÁRIO MÍNIMO PARA OS CEM DÓLARES PROMETIDO; QUE DEIXOU AS ESTRADAS DO PAÍS ESBURACADAS; QUE DEIXOU O FMI DITAR AS NORMAS E TANTAS OUTRAS IMORALIDADES.
    O POVO ATÉ ENTENDE A PAIXÃO, MAS NÃO PODEMOS FAZER NADA POR ELES.
    ABRAÇOS

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  8. Débora - academica de Lic. em Quimica5 de fevereiro de 2010 12:43

    Amigo Marinho, antes de tudo parabenizá-lo pelo excelente artigo, gostaria de ter o dom da escrita!
    Agora referente ao assunto, realmente fora triste a colocação de ambos os lados, de Caetano Veloso por criticar o Presidente da Republica e o infeliz comentário do Presidente Lula em relação à inteligência. O que é a inteligência? Que tipo de inteligência o Presidente quis se referir, e a inteligência que o Caetano Veloso quer para o governo?
    Falando com uma futura professora, como o capitão Marinho já deve ter escutado inúmeras vezes, confesso minha total insatisfação com a educação Brasileira, minha tristeza com o desinteresse dos alunos e as ilusões que o consumismo dá a essas crianças.
    A satisfação pessoal é realizada ao comprar um celular e não ao estudo para passar de ano, o materialismo faz com que inúmeras pessoas busquem formas fáceis de conseguir dinheiro, como universitária o estudo não é o caminho mais rápido. Mas como toda subida é preciso tempo e persistência, em toda luta há recompensa nem sempre material, mas em forma de aprendizado.
    Peço ao amigo Marino um artigo sobre a desvalorização da profissão de Professor que assim como a de Policial é imensurável sua importância.

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  9. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  10. Devemos ser grande até mesmo as críticas!!

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