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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

ELE É MÉDICO E OFICIAL DO EXÉRCITO, IMAGINE QUEM NÃO É?


"Quando fui abordado, falei que era oficial do Exército, os policiais não deram bola, me algemaram que não sei como não quebraram meus pulsos (neste momento ele me mostra os hematomas nos pulsos e eu já havia observado o olho roxo, também consequência da violência policial) e me colocaram dentro de um vectra. Pensei que estava sendo sequestrado, depois eles me tiraram do carro e me colocaram contra a parede, na frente de uma multidão enfurecida que queria me linchar, quando apareceu um homem que começou a gritar comigo e dizendo "é este" me perguntava pelas armas. Neste momento, pensei que iam me matar espancado, horrível, não tem palavras para traduzir minha aflição. Depois fui levado para a delegacia e fui agredido pelos policiais e por aquele louco que queria saber onde estavam as armas. Fiquei sabendo depois que ele era um JUIZ (magistrado) e tinha sido assaltado, mas ele insistia em dizer que foi eu que o assaltei." Essa foram as palavras do Oficial para comigo!
Na manhã do dia 19 de agosto, estava me arrumando para ir trabalhar quando escutei a chamada do telejornal de que um oficial e médico perito do Exército havia assaltado um juiz em Porto Alegre. Fui assistir a matéria e para minha grande surpresa e estarrecimento o "assaltante" era meu amigo e companheiro de quartel. Na hora do almoço, não fiz outra coisa a não ser assistir a televisão para ter mais notícias sobre o fato. Assistir um telejornal que deu um destaque especial ao episódio. Na reportagem, o rosto do meu amigo ficou congelada na tela enquanto o apresentador julgava, condenava e previa a execução da pena. Chegou ao absurdo de afirmar ele ia ser castigado fisicamente de forma merecida! Já os dados do Juiz, ele preservou em nome do "bom jornalismo"! Em momento algum, dessa execração pública, o "responsável" apresentador pensou na hipótese que o suspeito poderia ser inocente e as consequências de tamanha injustiça! Com conhecimento de causa, eu afirmo: não há dinheiro no mundo que repare uma injustiça dessa. Preso, torturado e humilhado frente as câmeras sensacionalistas e inconsequentes de uma emissora que, até então, gozava do meu maior respeito e consideração! Que cena!

Amigos e advogados intercederam por ele e foi constatado, no dia seguinte, que na hora em que o juiz foi assaltado, com direito a tiroteio e tudo, meu amigo estava falando ao celular e as câmeras de filmagem do seu prédio e da vizinhança mostraram que ele só saiu de casa depois do horário do fato. Por uma sorte do destino, ele não está preso até hoje! Ou seja, ele tinha como provar que não estava no local do crime, portanto, não poderia ser o “assaltante” apontado pelo Juiz! E se ele não tivesse a sorte de receber um telefonema na hora do assalto? E se, diferente de um bairro nobre, ele morasse em um bairro periférico que não tem câmeras de filmagens? Vale ressaltar que ele não tem as características de "bandido símbolo": jovem, negro e pobre!

Aí me vem a cabeça vários questionamentos: Quantos presos inocentes temos no Brasil? Sem contar os inocentes que são assassinados nos famigerados "autos de resistência"! O por quê da truculência e falta de conduta ética no comportamento dos policias? Mesmo apontado pelo Juiz, se meu amigo não mostrou resistência, havia mesmo a necessidade de espancá-lo e algemá-lo? E o que dizer dessa imprensa que instigou a violência e o condenou bem antes de saber do outro lado da história? Todos tem garantido a plena defesa, é um direito assistido por Lei. E onde foi parar a Lei nessa hora? E o Juiz, que o apontou como criminoso? Será que estava em condições de fazê-lo naquele momento e de maneira não condizente com sua função?

Qualquer inovação social em prol do desenvolvimento humano, naturalmente, enfrentará o sistema penal e as desigualdades sociais. A história nos ensina que os avanços da dignidade humana sempre ocorreram em luta contra a exclusão e o poder punitivo. Programas de televisão sensacionalistas que não respeitam a Constituição do País e apresentadores que cometem crime de calúnia (geralmente eles tem como público alvo as pessoas das camadas mais baixas) e incitam a violência de forma irresponsável, e quando são questionados saem alarmando que querem cercear o seu trabalho e invocam a liberdade de imprensa devem ser punidos de acordo a Lei e, a depender da gravidade, banidos dos meios de comunicação.

Só para constar, muitos desses programas sensacionalistas possuem salas cativas nas delegacias para entrevistar o suspeito e condená-lo perante a opinião pública, numa verdadeira afronta aos princípios constitucionais do Devido Processo Legal, Intimidade e Presunção da Inocência. E o mais estarrecedor, eles só fazem isso porque tem apoio dos delegados e policiais de serviço que infringem a lei de abuso de autoridade(4898/65) ao colocar as pessoas sobre a sua guarda ou custódia em situação vexatória ou constrangimento não autorizado por lei. Os que renegam os seus deveres legais "jogam leis e princípios no vácuo da ignorância" e fazem falir a honra e o direito!

Precisamos, urgentemente, de algum mecanismo que seja eficiente na cobrança para que a mídia cumpra a lei. Quanto ao poder punitivo, enquanto houver o clientelismo (uso da força pública em proveito privado), corrupção e morosidade no Judiciário, omissão de alguns promotores de Justiça, que para atingir a Meta 2 do Conselho Nacional do Ministério Público estão pedindo arquivamento de inquéritos sem nem ao menos examiná-los, a impunidade nas arbitrariedades da polícia e, principalmente, juízes fazendo justiça com as próprias mãos, o termo "Estado Democrático de Direito" será um pseudônimo quando se referir ao Brasil. A sociedade brasileira tem que se mobilizar contra todo o tipo de corrupção e desrespeito aos diplomas legais e os Direitos Humanos. Basta!

Por acreditar que deste Mundo só levamos três coisas: "O Caráter, A Lembrança e A Honra", peço ao nobre amigo que tenha força, pois sua experiência há de servir para ajudar aqueles “muitos” que ainda sofrem nas mãos desse “poder” doente e irracional que debocha do ser humano e renega os seus direitos! Meu Amigo, tenha certeza, marcharei com você ombro a ombro, somando esforços nessa luta que não é só sua, pois temos que tirar a venda que cega a Justiça, garantir o direito pleno e zelar pela honra e dignidade de todas e todos!

Por fim, quando relembro as atrocidades vividas por meu amigo, mesmo fazendo parte de uma classe social privilegiada, sinto-me obrigado a questionar: se ele passou por essa situação sendo médico e oficial do Exército, imagine quem não é?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

VIVA A DIVERSIDADE (Cont.)!!!

NÚCLEO DE ESTUDO DE RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA E INDÍGENA – NEAFRO

Leitura alusiva ao NEAFRO

Nilson Conceição do Espírito Santo – 3º Sgt EB

O NEAFRO nasceu da inquietação dos militares e servidores civis, fiéis de religiões afro-indígenas brasileiras, do Quartel General e da Companhia de Comando da 6ª Região Militar, em consequência dos mesmos não terem a mesma liberdade de realizar seus cultos ou expressarem sua espiritualidade nas ocasiões das atividades religiosas oficiais.

A legislação do Exército que rege atualmente as atividades religiosas, somente contemplam as práticas ou celebrações cultuais para os públicos católico, evangélico e espírita. Após alguns questionamentos feitos aos comandantes militares locais sobre a possibilidade de se autorizar a contemplação de outras expressões, a exemplo do Candomblé e da Umbanda, nas atividades religiosas oficiais da Força, sempre enfrentou-se a resistência de dois argumentos: o primeiro era que as portarias ministeriais e internas do Exército não regulavam outras atividades além da católica, evangélica e espírita; o segundo argumento era que o quantitativo de fiéis de matriz africana e indígena, registrados nos censos religiosos do Departamento Geral de Pessoal do Exército seria quase nulo.

Diante de tais recusas, aproveitou-se da ocasião da visita do Arcebispo Militar do Brasil (autoridade religiosa católica vinculada ao Ministério da Defesa, no comando do Ordinariado Militar), Dom Osvino Both, acorrida em 2010, para perseverar nos questionamentos anteriormente realizados, sendo que, daquela vez, foi lida neste mesmo auditório que nos encontramos hoje, em alto e bom tom para todos os presentes na ocasião, incluindo o genenal-comandante e outros comandantes da Organizações Militares (EB) da Guarnição de Salvador, da época, o inciso VI, do Art. 5º, da Constituição Federal do Brasil de 1988, referente aos Direitos Individuais e Coletivos, dentro Dos Direitos e Garantias Fundamentais, os quais são “cláusulas pétreas” (cláusulas que não podem ser modificadas), a seguinte prescrição: “VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e liturgia”.

Logo em seguida, foi solicitado à referida autoridade eclesiástica, representante do Ministério da Defesa, que fosse providenciado um novo censo religioso para a 6ª Região Militar, com a finalidade de levantar o quantitativo e o percentual de declarantes de religiões de matriz afro-indígenas, alegando-se ainda, que a não inserção de tais religiões nas atividades oficiais religiosas, feria preceitos e garantias constitucionais, os quais não poderiam ser contrariados por legislações subalternas, a exemplo das portarias ministeriais.

Dois meses após da visita do Arcebispo Militar, chega a ordem para a realização de um novo censo religioso em todo o Exército, o qual, no âmbito da 6ª Região Militar, foi prontamente realizado, consolidado e remetido à Brasília. É importante destacar que o resultado do aludido censo religioso, constituiu-se de importante subsídio para a reiteração da solicitação que anteriormente havia sido negada, sendo que naquele segundo momento, fora emitida ordem do Sr Comandante da 6ª Região Militar, o então General de Divisão João Francisco Ferreira, determinando que a Capelania Militar incluísse em suas atividades, as religiões de matriz africana e indígena (Candomblé e Umbanda).

Dentro deste contexto, visando planejar, organizar e executar as reuniões afro-indígenas que vêm ocorrendo todas as primeiras quintas-feiras de cada mês, foi organizado o Núcleo de Religiões de Matriz Africana e Indígena (NEAFRO), inspirado no Núcleo de Religiões de Matriz Africana da Polícia Militar da Bahia (NAFRO/PM-BA), com a essencial ajuda e suporte de dois grandes guerreiros, o Tata Eurico de Obaluaê, Coordenador do NAFRO e sacerdote do Terreiro Aloyá em Itapuã, e ainda, o Pai Raimundo de Xangô, sacerdote do Centro Umbandista Paz e Justiça, que não mediram esforços para garantir a consolidação da conquista recente. Tais companheiros de caminhada estiveram e continuam participando ativa e prontamente de todas as etapas do NEAFRO, o qual ainda engatinha e tenta ficar sentado, como um bebê que se desenvolve com o passar dos dias.

Em abril de 2011, veio mais uma conquista, quando planejamos, organizamos e executamos, pela primeira vez, a participação do NEAFRO nas atividades religiosas oficiais alusivas às comemorações da Semana do Exército, o que aconteceu na Escola de Formação Complementar do Exército, no bairro da Pituba.

É importante lembrar que as coisas não têm sido fáceis para que as reuniões aconteçam, pois muitos obstáculos ainda são colocados na trajetória de quem organiza, impossibilitando às vezes, que reuniões como essas aconteçam, obstáculos tais, que não fazem parte da realidade dos militares espíritas, menos dos evangélicos e muito menos dos católicos. Mas, felizmente soube-se contornar com sabedoria tais óbices.

E hoje, de volta a este auditório, onde tudo começou, desfrutamos dos resultados de uma série de batalhas, que foram vencidas, mesmo parcialmente, para participamos da Páscoa dos Militares de 2011, o que só foi autorizado, no âmbito do Exército Brasileiro, no último dia 28 de junho, o que gerou uma corrida contra o tempo, sem recursos, com algumas dificuldades de atendimento das necessidades de material e pessoal. Mas, com muito trabalho e força de vontade, oferecemos hoje esta singela amostra da força do Axé.

Um exemplo das dificuldades pode ser observado no cartaz oficial da Páscoa dos Militares, onde não consta a reunião de matriz africana e indígena, sem contar que no âmbito das outras forças (Marinha e Aeronáutica) continua apenas a trina contemplação de católicos, evangélicos e espíritas. Por este motivo, torna-se dever de justiça enaltecer a postura do atual Comandante da 6ª Região Militar, General de Divisão Gonçalves Dias por vir propiciando e incluindo a participação dos cultos de matriz afro-indígenas em todas as atividades religiosas da 6ª Região Militar.

Conclui-se então, que o NEAFRO encontra-se apenas, no início de sua trajetória, pois quem passou por séculos de escravidão e genocídio (africanos e indígenas) e sobreviveram vigorosamente lutando por dignidade até os dias de hoje, jamais serão vencidos.

E é neste contexto de luta pelos direitos à vida, ao respeito e, à dignidade humana que o NEAFRO dedica este momento a todos que, em suas veias correm o sangue negro e o sangue indígena, ou seja, a todos os brasileiros que carregam consigo a contribuição de nossos ancestrais, africanos ou indígenas, que construíram com o próprio sangue o país que hoje chamamos Brasil.

Salvador, 08 de julho de 2011.

Axé, Bahia, Brasil!

sábado, 9 de julho de 2011

VIVA A DIVERSIDADE!!!

Recebo inúmeros pedidos sobre postagem de aviso no meu BLOG, sobre vários assuntos, sempre rechacei todos eles, por entender que esta não é a finalidade deste espaço. Entretanto, o pedido de divulgação desta informação, que eu recebo com MUITA FELICIDADE,  fez eu mudar o meu entendimento, até por questão de Justiça, pois está chegando o dia que meu texto: "EXÉRCITO E RELIGIÕES DE MATRIZES AFRO", link abaixo, estará DESatualizado!!!
http://capitaomarinho.blogspot​.com/2009/09/exercito-e-religi​oes-de-matrizes-afro.html

Viva a DIVERSIDADE, viva o RESPEITO AO PRÓXIMO!!! 
Abaixo, segue a informação:
NÚCLEO DE ESTUDO DE RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA E INDÍGENA (NEAFRO)
O NEAFRO informa que, pela primeira vez no Brasil, as Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica), por iniciativa do Exército Brasileiro (Comando da 6ª Região Militar), incluem em suas atividades de assistência religiosa (Páscoa dos Militares em Salvador), reuniões das religiões de matriz africana e indígena (Candomblé, Umbanda e outras), assim como, já vinha ocorrendo somente com católicos, evangélicos e espíritas. Tal iniciativa é considerada histórica e pioneira, uma vez que não se tem registro no Brasil, de tal abertura nas Forças Armadas.
Em consequência, o NEAFRO tem a honra de convidar todo(a)s o(a)s fiéis de religiões de matriz africana e indígena, entidades religiosas, organizações e todo(a)s que desejarem contribuir e participar dessa conquista, no próximo dia 08 de julho de 2011 (sexta-feira), no auditório do Comando da 6ª Região Militar, localizado à Rua da Mouraria s/nº, na Praça Duque de Caxias, Mouraria, às 09:00 horas. Salvador-BA

sábado, 23 de abril de 2011

23 DE ABRIL, SALVE JORGE!!!



Eu sou descendente zulu
Sou um soldado de ogum
Um devoto dessa imensa legião de Jorge
Eu sincretizado na fé
Sou carregado de axé
E protegido por um cavaleiro nobre
Sim vou na igreja festejar meu protetor
E agradecer por eu ser mais um vencedor
Nas lutas nas batalhas
Sim vou no terreiro pra bater o meu tambor
Bato cabeça firmo ponto sim senhor
Eu canto pra Ogum
Um guerreiro valente que cuida da gente que sofre demais
Ele vem de aruanda ele vence demanda de gente que faz
Cavaleiro do céu escudeiro fiel mensageiro da paz
Ele nunca balança ele pega na lança ele mata o dragão
É quem da confiança pra uma criança virar um leão
É um mar de esperança que traz abonança pro meu coração
SALVE OGUM! SALVE OXOSSI!
SALVE SÃO JORGE!!!



Deus adiante paz e guia
Encomendo-me a Deus e a virgem Maria minha mãe ..
Os doze apóstolos meus irmãos
Andarei neste dia nesta noite
Com meu corpo cercado vigiado e protegido
Pelas as armas de são Jorge
São Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem
Tendo mãos não me peguem não me toquem
Tendo olhos não me enxerguem
E nem em pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo o meu corpo não alcançará
Facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é da Capadócia.
Salve Jorge!

sábado, 26 de março de 2011

TODOS OS TEXTOS ANTERIORES!!!

Prezados Amigos e Prezadas Amigas,
Abaixo, seguem a relação dos títulos dos textos postados neste Blog, bem como o link para acesso. Segue do texto mais antigo para o texto mais recente. Boa Leitura!

COTAS E BIBLIEX 

COMENTÁRIOS DO CANTOR TONHO MATÉRIA SOBRE RACISMO

PORQUE SOU FAVOR DAS COTAS RACIAIS

BAGÉ-RS: A “PASÁRGADA” DOS NEGROS BRASILEIROS.

OS GOVERNOS MILITARES DEIXARAM SAUDADES?

EXÉRCITO E RELIGIÕES DE MATRIZES AFRO:  INSERÇÃO OU INTOLERÂNCIA?

SÍMBOLOS NACIONAIS: EDUCAR OU SEGREGAR?

POR TRÁS DAS COTAS RACIAIS

EDUCAÇÃO E POLÍCIA: NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

TRISTE CIDADE MARAVILHOSA

DROGAS E VIOLÊNCIA: QUEM SÃO OS VERDADEIROS VILÕES?

LULA VERSUS EDUCAÇÃO: PARA QUE ESTUDAR?

O MAIOR DESAFIO DA NAÇÃO BRASILEIRA: COMO MOTIVAR QUEM NÃO GOSTA DE POLÍTICA?

DE UM NEGRO PARA UM JURISTA BRANCO: PELA GRANDIOSIDADE DO BRASIL, REVEJA SEUS CONCEITOS!

VALORIZAÇÃO POLICIAL: UM DEVER DE TODOS OS CIDADÃOS BRASILEIROS!

SALVADOR: TERRA DE NEGROS COM ELITE ESCRAVOCRATA!

BRASIL: UM PAÍS À PROCURA DE JUSTIÇA!

MEREÇO OU NÃO AJUDAR MEUS PAIS AMADOS, VELHOS E DOENTES?

21 DE MARÇO: UM DIA PARA REFLETIR, PROPOR E COMEMORAR!

PARA OS NEGROS, O “BRASIL” VIRA AS COSTAS!

EMERGÊNCIA? FAVOR PROCURAR OUTRO HOSPITAL!

REPARAÇÃO: POR QUE VEJO CHIFRES NA CABEÇA DE CAVALO?

SER MILITAR, UMA PAIXÃO INEXPLICÁVEL!

A MORTE DE UM COLEGA!

DISCRIMINAÇÃO POSITIVA: UM CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO!

E QUEM PROTEGE OS POLICIAIS?

EXÉRCITO NA SEGURANÇA PÚBLICA!!!

A MINHA LIBERDADE É INEGOCIÁVEL!

O GIGOLÔ DOS NEGROS!


quarta-feira, 16 de março de 2011

O GIGOLÔ DOS NEGROS

Apesar de muitas pessoas negarem o racismo no Brasil, e dizerem que nós negros é que somos racistas, sinto-me na obrigação moral de postar no meu Blog está linda "pérola" esculpida pelo meu querido amigo, professor, poeta e apresentador de televisão, JORGE PORTUGAL (secretaria@jorgeportugal.com.br). O texto, que se inicia no próximo parágrafo, merece ser lido e relido por todas as brasileiras e brasileiros. 

O Estado da Bahia é um histórico gigolô dos negros. O Estado inteiro e, principalmente, sua capital sempre se venderam ao resto do País e ao exterior pela pujança cultural de sua matriz africana. Alguém pode argumentar que na região do semiárido não é tanto assim, que no sertão há uma esmaecida presença do negro e que tudo isso é Bahia também. Mas eu respondo, lembrando que ainda não é pelos belos repentes sertanejos que o mundo se curva à musicalidade brasileira e sim pelo samba e suas variáveis, pelas canções de Caymmi e pelo canto de João. Durante 350 anos, a preguiça do explorador eurodescendente foi garantida pelos braços escravos dos negros na lavoura, na cozinha e nas construções. O azulejo era português, o desenho arquitetônico, às vezes também, mas o suor era negro, o trabalho braçal tinha cor.

Na culinária, não é a rapadura e a carnede-sol (deliciosas!) que seduzem paladares extra-Bahia. É o acarajé, o caruru, o vatapá, enfim, as comidas de orixás, carregadas de cultura no seu tempero e tecnologia negra no seu preparo. Na expressão corporal, a capoeira, espalhada pelo mundo, faz mais pela difusão da língua portuguesa do que todas as embaixadas brasileiras reunidas no planeta. Na literatura, sobretudo a literatura de Jorge e João Ubaldo, são figuras como Gabriela, Pedro Arcanjo, Nego Leléu, Tieta, Maria da Fé, que incendeiam o imaginário dos leitores do mundo e fixam a poesia e a luta de tantos iguais, de carne e osso, que aqui vivem numa sanha sem trégua para conquistar dignidade e respeito.

Enfim, estamos em um Estado (e uma cidade) que deve tudo o que move sua história, economia e cultura ao povo negro e suas invenções geniais. Não importa que a pele da cantora seja mais clara e o seu trio elétrico high-tec. A música que anima o Carnaval e que garante o seu estrondoso sucesso foi composta por um negro. Que continua anônimo, por sinal. Então, cara-pálida, quem é você para querer desancar Márcio Vítor em sua própria casa e Carnaval? Respeite-o e respeite a história desse povo que trabalha sem férias há 500 anos para que você e assemelhados possam “brincar de ser brancos” na Bahia.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

ESTOU MUITO BEM!!!

PREZADAS AMIGAS E PREZADOS AMIGOS,

ESTOU MUITO BEM!!!

Venho recebendo inúmeros e-mail de pessoas querendo saber como estou e porque meus celulares só dão caixa postal. Decidir desligar meus celulares devido as inúmeras ligações da mídia querendo me entrevistar sobre a minha prisão. Gostaria de contar com a colaboração de todos e todas para que o assunto da minha prisão fiquei no passado, a JUSTIÇA foi feita e a vida segue. Por fim, continuo tendo um prazer inenarrável de envergar meu uniforme verde-oliva, bem como o orgulho de pertencer a Instituição EXÉRCITO BRASILEIRO!

Mais uma vez, agradeço o apoio incondicional de todas e todos.

COM MINHA ETERNA GRATIDÃO,

Marinho.

sábado, 6 de novembro de 2010

EXÉRCITO NA SEGURANÇA PÚBLICA!!!


 



(...) querer que os militares do Exército empreguem a força somente se necessário e de forma comedida, como deve ser as ações policiais em um Estado Democrático de Direito, é a mesma coisa de querer criar uma onça como um gatinho de estimação, é contrariar a natureza. Os militares do Exército são treinados para não ter compaixão, para beber o sangue do inimigo como se bebe um copo de água gelada em uma tarde quente de verão. Não se pode exigir de um combatente a postura de um gentleman, solicitando ao suspeito à gentileza de acompanhá-lo até a delegacia. (...)

         Este livro é resultado dos meus estudos acadêmicos somados às reflexões das minhas experiências profissionais com o objetivo de amenizar as minhas inquietações e solucionar os meus questionamentos em relação aos assuntos atinentes a participação do Exército nas atividades de Segurança Pública. Por isso, decidi escrever este livro para compartilhar com a sociedade brasileira os conhecimentos  que adquirir nesta minha trajetória.

Tomei como base, para a realização desta obra, a minha dissertação de Mestrado em Direito,  2008, intitulada: “EXÉRCITO NAS RUAS: o desafio da responsabilização jurídica do mandato policial no Brasil”, onde tive a grande honra de ser orientado pela professora doutora JACQUELINE MUNIZ, que além do vasto conhecimento acadêmico sobre segurança pública, exerceu cargos de direção na Secretaria Nacional de Segurança Pública e na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Participaram também da minha banca de defesa, contribuindo de forma inestimável para enriquecer o meu conhecimento, através das suas colocações, o professor doutor Pedro Tórtima (autor do livro “Crimes e Castigos para Além do Equador”) e o professor doutor Jorge da Silva, que além do notável conhecimento acadêmico, é coronel da reserva da Polícia Militar do Estado Rio de Janeiro, e na vida pública, dentre outros cargos, foi presidente do Instituto  de  Segurança  Pública do Estado do Rio de Janeiro  e secretário de  Direitos  Humanos do Estado do Rio de Janeiro.

"O livro do Capitão Marinho, além da instigante leitura, haverá de interessar a militares, policiais, executivos da segurança pública, pesquisadores, políticos e a todos aqueles que se preocupam com o tema da segurança, em seus múltiplos aspectos." 

Jorge da Silva
Coordenador Multidisciplinar de Estudos e Pesquisas em Ordem Pública, Polícia e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro


O livro pode ser encontrado, além das livrarias, no site da Editora Juruá:   www.jurua.com.br


BOA LEITURA!!!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

PEDIDO DE DESCULPA!

Prezados Amigos e Prezadas Amigas,

Decidir retirar do BLOG os textos os quais menciono à minha NOBRE INSTITUIÇÃO (EXÉRCITO BRASILEIRO) por entender, neste momento, que eles podem estar sendo mal interpretados em relação às minhas verdadeiras intenções. Acredito que as divergências ideológicas quando debatidas, de forma respeitosa, levam à evolução humana! Entretanto, após várias conversas com amigos e amigas, decidir retirar os textos relacionados ao Exército, pois, por mais que eu não queira, poderia estar sendo parcial e criando animosidades. 

Aproveito, também, para deixar aqui registrado que, apesar de ter retirado o texto sobre minha preferência eleitoral, voto e torço muito pela vitória de Dilma Rousseff para Presidenta do Brasil . Ela é a garantia da continuidade do governo Lula!

Acredito que só pode haver dignidade, inteligência, companheirismo, lealdade, patriotismo e nobreza nas nossas ações quando elas têm um sentido humano e quando surgem daquela parte do nosso ser onde os sentimentos sociais se sobrepõem aos instintos individualistas,  destes derivam a desigualdade, a discriminação, o preconceito e todos os demais sofrimentos do povo brasileiro.

Por fim, meus prezados amigos e minhas prezadas amigas, peço desculpa pela retirada dos textos que vocês tanto admiram! 

Atenciosamente,

Marinho.

domingo, 8 de agosto de 2010

E QUEM PROTEGE OS POLICIAIS?


O mês de julho terminou com uma indagação latente entre os brasileiros, o quê fazer para melhorar a polícia? Dois casos tiveram destaques na imprensa nacional: o primeiro foi à morte de um estudante dentro da sala de aula, consequência de um tiroteio entre policiais e traficantes; e o segundo foi o atropelamento fatal do filho de uma atriz, onde os policiais foram, devido à superexposição na mídia em relação à conduta deles, os “atores” principais. A mídia esqueceu-se de dizer que a conduta deles não evitaria o atropelamento, e que eles foram corrompidos porque alguém deu dinheiro a eles. Eles merecem o nosso repúdio, e somente eles, a polícia não!

Para que serve a polícia? Poderia responder esta pergunta usando os conceitos de Egon Bittner, Jacqueline Muniz, Jorge da Silva, David Bayley, Robert Reiner, Dominique Monjardet, dentre outros, entretanto responderei da forma mais simples, a polícia serve para proteger os cidadãos. E ela protege? SIM. De forma eficaz? SIM. Entretanto, segundo o jargão popular, toda regra tem a sua exceção, e estes dois casos fazem parte da exceção. Quantos roubos, homicídios, sequestros e outros crimes foram rechaçados pela polícia no intervalo de tempo entre estas duas “fatalidades”? Será que é colocando toda a polícia para execração pública que iremos solucionar este impasse? A polícia é imprescindível para a vida em sociedade, entretanto ela é formada por seres humanos que tem sentimentos, acertos e erros, porém a peculiaridades da função policial faz com que os acertos dos policiais, para a sociedade, não passem de obrigações, pois eles recebem para isso, e os seus erros sejam suscetíveis a receberem as piores penas, a execração pública. Quem ganha com isso?

A morte do estudante no Rio de Janeiro é consequência de uma política onde o Governador, veementemente, afirma que vai para o enfrentamento contra os criminosos e não vai recuar, o Secretário diz que “não se pode fazer omelete sem quebrar ovos”, querendo justificar as vidas dos inocentes que são perdidas nos confrontos, e ratifica: “vamos para o confronto”. Como ficam os policiais diante destes fatos? A partir do primeiro erro, eles serão “linchados” pela opinião pública. Será que todos os erros dos policiais são intencionais? Será que o policial que atirou, caso tenha sido algum deles, queria acertar o tiro no estudante? Como são preparados estes policiais? Como eles não são máquinas e sim humanos, quais são as suas condições psicológicas? Alguém se preocupa com isso? Alguém quer saber o quê levou o policial ao erro? Alguém quer saber se ele tinha condições para estar na operação naquele momento? Por questão de justiça, vou deixar registrado que o comandante geral da polícia militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio, é um comandante preocupado com seus subordinados, a quem tive a honra de estar ao lado em algumas mesas de debates sobre polícia e em outras oportunidades de troca de conhecimentos, e sei o quanto é comprometido com a sua Instituição e os seus subordinados, mas infelizmente “uma andorinha só, não faz verão”.

Voltando a questão da condição do policial, o preparo dado aos policiais por ocasião da sua formação é muito aquém do desejado em todos os estados brasileiros. Mas, ainda assim, vamos considerar que eles tiveram uma formação ideal. Vou trazer à baila coisas da minha intimidade com uma única finalidade: enriquecer o debate. Meu irmão é sargento da polícia militar da Bahia, e ficou viúvo, pois minha cunhada morreu vítima de um câncer. Ela deixou duas filhas, uma de 5 e outra de 2 anos, para ele criar. Ele ficou oito dias de luto e depois voltou ao trabalho. Ele sai para trabalhar, todo dia, com uma arma na cintura após a noite mal dormida pelo fato das filhas chorarem chamando a mãe, à sua companheira de anos que partiu, recentemente, na flor da idade! Meus amigos, será que meu irmão tem condições de portar essa arma? Será que ele tem condições de dirimir os conflitos que aparecem durante seu serviço? Só mesmo muita fé e orações para livrá-lo dos males, pois o amparo institucional se limitou aos oito dias de luto previsto em lei. Outro fato que trago à baila, certo dia, em uma cidade de interior, três policias, um é meu amigo, foram sequestrados por assaltantes de bancos que estavam fortemente armados e iriam assaltar uma agência bancária da cidade. Os assaltantes em três carros, cerca de dez homens, sequestraram os três policiais que “protegiam” a cidade e os levaram para o banco. Durante o assalto, eles trancaram os policias junto com os clientes e os funcionários do banco. Após recolherem o dinheiro, os assaltantes disseram aos policias que para eles saírem dali vivos teriam que se beijarem de forma apaixonada, igual aos beijos românticos dados em novelas. Quando os policiais esboçaram uma negação, os assaltantes foram incisivos, ou vocês se beijam, ou vocês não mais verão seus familiares! Diante do fato, eles se beijaram e tiveram que suportar as gargalhadas e “piadinhas” dos assaltantes. Por fim, dois dias depois do assalto, eles já estavam tirando serviço sem ter tido qualquer acompanhamento médico, como se nada tivesse acontecido. Já os funcionários do banco, ficaram mais de um mês sem trabalhar, sendo acompanhados por psicólogos e psiquiatras. Por que ninguém protege as pessoas que nos protegem? Todos querem a máxima perfeição dos policiais, mas não lhe dão a mínima condição de trabalho. Os policiais são tratados como máquinas, mas deles são cobrados sentimentos e sensibilidades. Sem contar os quais, diariamente, presenciam a morte do colega no cumprimento do dever e, logo após, têm que continuar o patrulhamento para justificar os discursos políticos que afirmam que as ruas estão policiadas. Triste ironia!

Mais uma vez, já fiz isso em outro texto postado neste BLOG, trago a afirmação August Vollmer sobre a expectativa que o cidadão nutre em relação ao policial:

“O cidadão espera do policial que ele tenha sabedoria de Salomão, a coragem de Davi, a força de Sansão, a paciência de Jó e a autoridade de Moises, a bondade de um bom samaritano, o saber estratégico de Alexandre, a fé de Daniel, a diplomacia de Licon e a tolerância do carpinteiro de Nazaré e, enfim, um conhecimento profundo das ciências naturais, biológicas e sociais. Se ele tivesse tudo isso pode ser que seja um bom policial”.

O cidadão até pode esperar isso, mas nunca pode esquecer que o policial é um ser humano, e como ser humano tem limitações e defeitos; por isso devem ser julgados individualmente e não coletivamente; a polícia, para o bem da sociedade, não pode viver constantemente sobre execração pública. Quem ganha com o desgaste da polícia? Os bons profissionais (SUA GRANDE MAIORIA) não podem sofrer as consequências dos maus profissionais (PEQUENA MINORIA)! Por fim, existem instituições que protegem as onças pintadas, os micos leões dourados, os tucanos e outros animais, todas estas instituições são importantíssimas, entretanto no meio desta “selva de pedras” quem protege os seres humanos? Quem protege quem nos protege? Ou seja, e quem protege os policiais?